sexta-feira, 4 de maio de 2007


Por Ana Luisa Lima.
No Meio De.
Por Júlia Rocha


Por entre
A pele
E o desejo
O latente
De te querer
Aqui.

Por entre
Eu
E mim
A permanência
De ti.

O querer
Aqui
Permanente:
Desejar
A mim
Por entre
A pele
Que eu
Latejo
Em ti.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

playing around
Por Ana Luisa Lima.


Devolvo tuas palavras com a saliva de minha boca. Vem. Bebe. Sei da sede.

Mas te deténs. Disfarças teu desejo debaixo da pele, te escondes detrás desse alguém - que não conheço. Simulas uma outra vida e me dizes cinicamente que não és meu. Sei de ti.

Gosto do teu Eu que vem à tona no quando de estarmos sós. O teu silêncio vira grito.
O meu olvido.
Teu desespero.
É quando descobres que eu minto.

Não amo. Não sinto(,) amor. Sou refém do meu próprio deserto. Não sou sua, nem minha, tampouco de outro alguém (sou de muitos, se queres saber ao certo).

A casca dura. Foi a cura. E no entanto.

Para ti, ouso amolecer (de quando em quando):
sobre teu corpo.
Devolve minhas palavras - na tua boca.

Nosso amor sempre foi essa brincadeira de mau gosto: gramaticalmente tu finges não me querer, enquanto matematicamente finjo ressurgir o que já é morto.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Sentidos
Por Júlia Rocha

A palavra ouvida sem a fala,
O silêncio quebrado pelo olhar,
Um desejo maciço que não cala
Ao sentir o teu cheiro aproximar.

Um calar que se grita em todo canto,
Tateando o teu corpo pelo ar,
Vou sentindo na pele teu encanto,
Pelo abraço aprendendo a te beijar.

O teu corpo, menina, tem sabor
De um doce gostoso ao paladar,
O teu cheiro, um aroma sedutor,
Meu gostar se entregando pelo olhar.

Sou menina, criança, vou brincando,
Descobrindo o meu jeito de mulher,
Nesse jogo de tato vou mostrando
Minha pele dizendo que te quer.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Drowning
Por Ana Luisa Lima.


Eu cresci acostumada ao azul e ao frio profundos. Acostumei a pele. Devotei-me ao silêncio. Importava sentir aquela bomba em mim: tum-tum. Cada músculo do corpo latejando; respirações alternadas: duas braçadas: sim. Quando o cansaço: não. Mas o corpo procura ar, (nem) sempre sabe onde e como...

Acostumei-me ao sufoco, à ausência. Essa falta que contrai meu diafragma, e expande meus pulmões.


Aos dezoito deixei as águas... Aos vinte e um mergulhei: você.

Vinte sete e lhe perdi...

E eu lhe (me) perguntava: como? E se?

Desde então me debatia. Tudo o que tinha era sono.

Mas um dia desses uns olhos castanhos me atravessaram a carne. E eu decidi tentar outra vez. Quero que ele seja de novo o azul e o frio na minha tez. O silêncio que consegue me deter. Como há muito tempo não ouvia: tum-tum, tum-tum, tum-tum...

Tomara que ele não tema - a pele áspera.

Não resisti; ele tem o seu nome. Tem outro gosto...

Minha boca saliva.

Sede-de-ter-sede-de-ter-sede-de-ter-sede: de-ser-de.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Artigo indefinido. Por Ana Luisa Lima. Nada mais grave do que a ausência do pranto, do que o costume do nada. Tornamo-nos deuses e assassinos. Criamos uma (não) existência só nossa - uma suposta dimensão. Matamos nossas almas para a realidade sonora. Tudo o que temos é o silêncio - esporadicamente perturbado pelas agruras do tempo. Essas nossas poucas palavras trocadas. O parco. O frouxo. O atalho. O torto. O desconexo. O engodo. Algo em mim dói e não sofro. O meu café esfria diante de mim; eu preciso lhe dizer que “não”. Vontade de tocá-lo, beijar a ponta dos seus dedos, descansar meu rosto em suas mãos – como costumava fazer. Mas a verdade é que, além da estupidez dos meus escrúpulos, não há razão para o “não” - nem para o “sim”. A conta, a nota, a coisa não-falada...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Underneath
Por Ana Luisa Lima.


O pouco de alma que tinha,
eu pus dentro de ti,
da parte tua que há em mim,
que é para não se perder.

Porque em ti me encontro, num abraço.
No teu colo.


Descanso.

Tu que me conheces por partes
e o todo.
Revira-me por dentro
e me aquece o corpo.
Conheces o hálito,
o hábito,
os meus jeitos de.

Tu que passeias em mim
com mãos ora dormentes
ora insanas.

Tu que não me amas se.
Tu me amas

apesar de.
Sem pesares.


E basta o teu corpo em mim
que eu te digo: sim.
Deita. Entra. Fica.


Pesa.

Tua epiderme na memória.
E a minha pele dorme (sonha) quando não estás:
molha
como se

(tu)

ainda.